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Angola curiosa sobre ação militar na República Centro Africana

Presença dos militares portugueses na missão da ONU na República Centro Africana foi um tema dominante no primeiro dia da visita do ministro Azeredo Lopes a Angola.

A intervenção dos militares portugueses na República Centro Africana (RCA), ao serviço das Nações Unidas, foi um dos temas que ontem dominaram a visita do ministro da Defesa a Angola, soube o DN.

No primeiro dos cinco dias de visita oficial, marcado pela audiência com o presidente João Lourenço que não constava da agenda oficial, aquela curiosidade dos responsáveis angolanos foi expressa nas reuniões de natureza política e técnica mantidas pelas delegações dos dois países lusófonos.

Esse interesse resultará de a RCA ser um país na área de influência estratégica de Luanda e, ainda, porque na mesa das negociações bilaterais está a participação conjunta em operações internacionais de paz. “Tem sido destacada e suscitado curiosidade a nossa ação na RCA”, num teatro de operações onde as tropas portuguesas – primeiro os comandos e agora os paraquedistas – têm estado envolvidas em operações de combate em vários pontos daquele país africano, referiu uma das fontes da delegação portuguesa.

Azeredo Lopes, após o encontro com o chefe do Estado angolano, lembrou aos jornalistas que os dois países “sempre trabalharam muito bem” no domínio da Defesa – leia–se, não foram afetadas por divergências de natureza política ou judicial e que, por exemplo, há meses fizeram cancelar (à última hora) a ida a Luanda da ministra da Justiça, Francisca Van Dunen, ou ainda não permitiram que o primeiro-ministro, António Costa, ali fosse em visita oficial.

Questionado sobre isso, o governante disse ter a certeza que António Costa irá a Angola. Pode sempre “haver aqui e ali um ou outro percalço, uma ou outra divergência […] mas prevalece sempre aquilo que são os laços históricos e a grande amizade e a grande relação que existem entre os nossos dois países”, afirmou ainda Azeredo Lopes.

Aliás, “as relações entre os dois países são tão históricas, tão antigas, que evidentemente a minha presença” a convite do homólogo angolano, general Salviano de Jesus Sequeira, “significa normalidade, o reiterar de uma relação de amizade” que se “traduz na circunstância de ter convidado o ministro da Defesa de Angola em retribuição a esta visita”, acrescentou.

Salviano Sequeira, no discurso com que inaugurou os trabalhos da 17ª reunião bilateral da Defesa, enalteceu a “sã e profícua parceria” que tem marcado as três décadas e meia dessa cooperação – e manifestou a convicção de que “Angola e Portugal vão continuar a criar este caminho juntos, uma vez que o caminho do progresso se faz com relacionamentos saudáveis”.

O ministro da Defesa angolano disse ainda ter “plena certeza” que essa política “se desenvolverá ainda mais com a assinatura do nosso programa quadro para o quadriénio 2018-2021”, no qual se pretendem privilegiar as áreas da ciberdefesa, investigação e indústrias de Defesa.

Azeredo Lopes, por sua vez, frisou que a relação bilateral “ao nível da Defesa e das Forças Armadas tem constituído uma das constantes mais sólidas, mais institucionais e mais leais da cooperação”. Agora, prosseguiu o ministro português, “acredito que é chegado o momento de alcançarmos este relacionamento e essa cooperação a um novo patamar, passando do nível técnico ao militar, para aquilo que tem designado por cooperação no domínio da Defesa e cuja implementação se apoia em programas verdadeiramente inovadores com benefícios mútuos e partilhados, porque esta é a definição de cooperação, tem que ser vantajosa e benéfica para cada uma das partes nela envolvidas”.

Para além da referida participação de militares dos dois países em operações de paz e humanitárias, nomeadamente em África, as novas dimensões dessa cooperação bilateral poderão passar pela ciberdefesa e por setores como as comunicações, os aparelhos não tripulados, a vigilância marítima, o fardamento, produtos químicos e farmacêuticos, a desmilitarização e desminagem ou a segurança marítima nas costas africanas, referiram as fontes.

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