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Brexit: Bruxelas vai pedir aos 27 que preparem plano “para o pior dos cenários”

Deputados pressionam May no Parlamento. Blair volta a defender segundo referendo. The Telegraph diz que Comissão Europeia vai pedir, esta quinta-feira, aos restantes 27 países da UE que preparem planos de contingência para o pior dos cenários.

A Comissão Europeia está a equacionar o cenário de um não acordo e quer que o Reino Unido perceba que o bloco está preparado para o chamado “hard brexit”. Nesta quinta-feira, a Comissão deverá enviar um “documento” aos 27 que continuarão membros da União Europeia, no qual irá alertar para consequências e para se prepararem para “o pior dos cenários”.

O texto chegará às delegações nacionais no mesmo dia em que o negociador-chefe da União Europeia para o brexit, Michel Barnier, recebe, pela primeira vez, Dominic Raab, que substituiu David Davis no cargo de ministro para o brexit no governo de Teresa May. Na sexta-feira, os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE reúnem-se em Bruxelas com uma agenda exclusivamente dedicada ao brexit.

Brexit significa Brexit?
Esta quarta-feira à tarde, no Parlamento Britânico, a primeira-ministra britânica foi forçada a explicar se o plano de retirada ainda está em marcha ou se, por outro lado, o Reino Unido acabará por continuar na UE. Recorde-se que esta semana May quase viu chumbados os planos do seu governo para a retirada do Reino Unido da União Europeia, escapando no fio da navalha, com 307 votos a favor e 301 contra.

A explicação da primeira-ministra conservadora surge numa altura em que se reforça a ideia de que ainda é possível reverter o processo. Um deputado questionou diretamente a chefe do governo sobre se “brexit significa remain [permanência na UE]”, ao que May respondeu “brexit continua a significar brexit [saída da UE]”.

Boris Johnson, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros britânico que renunciou ao chamado plano Checkers, foi um dos primeiros a renovar o pedido para que o governo repensasse a estratégia, dizendo que “não é tarde de mais para salvar o brexit”.

Em Bruxelas, “está a trabalhar-se em todos os cenários”, incluindo o de uma inversão do processo. “Por nós a porta mantém-se aberta, para que fiquem”, comentou uma fonte com o DN, sem se desviar daquela que é a posição pública e oficial, relativamente ao processo de retirada do Reino Unido da União Europeia.

Em Londres, o antigo líder do Partido Trabalhista, Tony Blair, voltou ontem a manifestar-se a favor de um segundo referendo, para acabar com a “barafunda” em que o país mergulhou, desde que, há dois anos, o “Sim” pela saída do Reino Unido da União Europeia ganhou o referendo de 26 de junho de 2016 com 51,89% dos votos (contra 48,11% para o “Não”).

No entanto, esta não é uma opção preferencial, em Bruxelas, que acumulou a reputação de apoiar referendos, no número de vezes necessárias, até obter o resultado desejado.

Planos de Contingência
O jornal britânico The Telegraph adiantou na terça-feira à noite que Bruxelas estará a preparar-se para pedir aos outros 27 da UE “a elaboração de planos de contingência para o pior resultado possível”, considerando que essa iniciativa “não é um sinal de desconfiança nas negociações”.

“A Comissão [Europeia] espera por um acordo e dedica recursos muito significativos e comprometeu-se a alcançar esse objetivo”, refere o jornal, que transcreve partes desse documento, em que se admite ainda que “as negociações, por outro lado, podem falhar”.

Tendo acionado o artigo 50.º do Tratado de Lisboa, que permite a um país pedir para sair da UE, a 29 de março de 2017, o Reino Unido tem até às 23.00 do dia 29 de março de 2019 para sair do bloco. O país aderiu à UE a 1 de janeiro de 1973, mas sempre teve um pé dentro e outro fora, com os seus mais variados opt-out, que vão desde a moeda (manteve a libra) à livre circulação de pessoas (não é membro do espaço Schengen).

Território desconhecido
O eurodeputado britânico conservador Charles Tannock, membro do partido de May, não acredita que os negociadores do bloco estejam a aproveitar para fragilizar o governo em Londres.

“Eles terão medo também que o governo caia completamente, porque se a Sra May não tiver qualquer possibilidade de ir para a frente com esta posição, há um risco de “no deal” (não acordo) e entramos numa crise económica e política para a qual não há uma resposta certa”, afirmou o conservador britânico ao DN.

“É um grande risco para a União Europeia” aproveitar o momento para explorar a fragilidade política do governo de May, porque “nós somos o maior mercado de exportação para muitos países da União Europeia – por exemplo para a Alemanha. Se o governo cai, haverá um caos político no Reino Unido. Entramos em território desconhecido”, alertou Tannock.

“Se houver uma queda do governo e de eleições antecipadas, também há um risco – que também mete medo aos conservadores – que haja um governo [trabalhista] de [Jeremy] Corbyn – que conduza ao hard brexit, porque ele é anti-europeísta e de extrema-esquerda”, considerou, acreditando que “é com Theresa May que todos os governos querem negociar, [pois] já sabem o que ela quer”.

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