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Do sofá aos Aliados. Nem Sérgio resistiu à festa do dragão

Jogadores saíram do hotel para festejar com os adeptos e destacaram o papel do treinador na conquista do 28.º campeonato.

“Campeões, campeões, nós somos campeões”. O cântico que não se ouvia para os lados do Dragão há já cinco anos voltou a irromper ontem pela Avenida dos Aliados sem pedir licença. Tudo começou em Lisboa. Mal soou o apito final no dérbi lisboeta (0-0), a festa saiu à rua um pouco por todo o país e passou pelo hotel em Espinho onde a equipa estagiou para o jogo com o Feirense (20.15, Sport TV).

Apesar dos apelos de Sérgio Conceição e Pinto da Costa, os jogadores não resistiram e saíram para festejar com os adeptos no exterior do hotel. A festa durou pouco, afinal hoje há jogo, mas deu para ver a alegria e a euforia de Herrera, Alex Telles, Marega, Brahimi… “Ser campeão é enorme!”, gritou o maliano, antes de ouvir o argelino dizer que adora jogar com ele: “Marega é como um irmão em campo.”

Para Felipe, “tudo começou na pré-época” quando “o Sérgio Conceição acreditou em todos”. Esse foi um pensamento repetido até à exaustão por vários jogadores. Algo que deixou o técnico emocionado e o fez sair do hotel para falar aos adeptos e aos jornalistas quando já ninguém o esperava.

Dez golos marcantes que ajudaram o FC Porto a ser campeão

“Na minha apresentação tinha dito que no final desta época iria agradecer e que duas pessoas iam ficar muito contentes. São os meus pais. É para eles este título. Estou muito feliz, pela minha família, mulher e cinco filhos. Não é fácil levar um barco destes, exigente como sou. Foi um ano fabuloso. Eu sou o líder que dá a cara, mas há muita gente de parabéns”, agradeceu o técnico, antes de elogiar os jogadores: “Foram incansáveis. Uma liderança muito exigente, rigorosa, um grupo com grande capacidade de trabalho. Os jogadores foram os verdadeiros obreiros.”

Alex Telles estava radiante e já quase sem voz, ainda conseguiu destacar o trabalho de Sérgio Conceição e do capitão: “O momento decisivo da época foi o golo do Herrera na Luz aos 90″. Mostrou que tínhamos todo o merecimento para sermos campeões.”

Um dos mais efusivos foi Gonçalo Paciência. O avançado mostrou todo o seu portismo quando agarrou no microfone e cantou o hino do clube de cor: “São 20 anos à espera deste momento, desde o tempo que me lembro de festejar e estar nas festas. Eu e o André André [filhos de Domingos e André] já falámos sobre isso. Estou arrepiado. É uma sensação incrível. O meu pai já me ligou. Os adeptos merecem isto tudo. O campeão voltou. Estamos de volta!”

O 28.º título da história dos dragões foi o quarto conquistado no sofá, depois de 1998-99, 2003-04 e 2011-12. O empate entre Sporting e Benfica ia fazendo adivinhar que os festejos do título iriam ser antecipados e fez sair à rua os portistas rumo à Avenida dos Aliados, ali mesmo em frente à Câmara Municipal do Porto, numa espécie de São João antecipado.

Campeão rima com superação
Em noite de queima das fitas na Cidade Invicta, foram muitos os estudantes que se desviaram do caminho e trocaram as fitas e bengalas por cachecóis e bandeiras, ao som de cânticos “Campeões allez”, “Oh Marega, oh Marega, vai chutar e vai marcar” e ainda as inevitáveis alfinetadas ao grande rival Benfica, que falhou o penta…

Foi assim um pouco por todo o país, de Bragança a Loulé, de Braga a Portalegre. Em Lisboa os festejos fizeram -se em frente à Casa do FC Porto, na Avenida da República. Perto de duas dezenas de adeptos chegaram cedo e aproveitaram o bitoque e a francesinha à moda do Porto, antes de soltarem a festa na rua, mas longe do entusiasmo de outros tempos. Afinal o título já era aguardado. “Uma questão de tempo”, segundo alguns adeptos portistas na capital, terra de leões e águias.

“Campeão contra muita gente”

Pinto da Costa fez questão de agradecer “a todos os que tornaram possível que ao fim de 36 anos de presidente do FC Porto pudesse festejar mais um título nacional”. Os adeptos, os sócios e as claques, mas “acima de tudo” Sérgio Conceição. “Bendita a hora em que fiz esta aposta consciente de que ele nos havia de levar à conquista do título”, confessou o presidente portista, sem esquecer que “o FC Porto foi campeão contra muita gente”.

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