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O transplante que deu um novo rosto a Katie

Norte-americana de 22 anos tentou suicidar-se quando tinha 18. Uma cirurgia de 31 horas deu-lhe um novo rosto e uma nova vida. A National Geographic acompanhou-a durante um ano.

Quando em 2015, Katie Stubblefield se tentou matar com um tiro no queixo, os médicos conseguiram salvar-lhe a vida, mas não o rosto. Passados quatro anos e 22 cirurgias, a norte-americana, hoje com 22 anos, tornou-se a mais jovem paciente, nos Estados Unidos, a receber um transplante facial. 31 horas e 11 cirurgiões numa clínica em Cleveland, no estado de Ohio, conseguiram mudar a sua história, como conta a edição de setembro da revista National Geographic, que acompanhou a adolescente durante um ano e assistiu à operação.

Katie esteve um ano na lista de espera para o transplante. Em 2017, recebeu a tão aguardada confirmação de que já havia doadora – uma rapariga de 31 anos que morreu com uma overdose. O seu seguro médico é que não cobria as despesas, uma vez que o procedimento médico é considerado experimental. No entanto, segundo a National Geographic, o Instituto de Medicina Regenerativa das Forças Armadas norte-americanas terá comparticipado o transplante, uma vez que tem interesse no aperfeiçoamento da técnica para poder recorrer à mesma em feridos de guerra.

Katie conta na reportagem que ainda sente algumas dificuldades para falar e que ficará para o resto da vida sujeita a tomar medicação para reduzir o risco de o seu organismo rejeitar o transplante. No entanto, a clínica Cleveland, onde é acompanhada depois de ter sido tratada no Mississipi, refere que a operação vai permitir a Katie ter uma “oportunidade para viver uma vida funcional”.

“Esta operação vai dar à paciente a capacidade de falar mais claramente e de respirar, mastigar e engolir de forma mais eficiente. Poderá também melhorar as suas expressões faciais. Vai favorecer as suas funções físicas, psicológicas e sociais”, pode ler-se no site da clínica.

Katie diz que não se recorda de muita coisa antes da tentativa de suicídio. A família, com quem a revista cientifica também falou, lembra que a adolescente estava a passar por uma fase complicada: lutava com problemas emocionais e de saúde.

A bala destruiu a maior parte do rosto da jovem, incluindo o nariz, a testa e o maxilar. Ficou ainda com lesões no cérebro e nos olhos. Desde que fez o transplante facial, Katie já foi sujeita a três operações de reconstrução e não deve ficar por aqui. A jovem continua a receber ajuda psicológica e já pensa em partilhar a sua experiência com adolescentes com pensamentos suicidas. Os seus planos para o futuro passam por “ajudar outras pessoas” e ir para a faculdade.

Katie Stubblefield foi a 40.º paciente a receber um transplante facial total no mundo, segundo a BBC. O primeiro procedimento deste género foi realizado em Barcelona, em março de 2010. Uma equipa de 30 médicos espanhóis operaram, durante 22 horas, uma pessoa cuja identidade não foi revelada na altura. Só meses mais tarde, Oscar (assim, sem apelido) apareceu em público, ficando a saber-se que se tratava de um agricultor de 31 anos que ficara desfigurado num acidente com armas de fogo.

Nos EUA, a primeira pessoa a receber um transplanta facial total foi Dallas Wiens, um empregado da construção civil operado em 2011, três anos depois de ter sofrido queimaduras muito graves por eletrocussão.

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