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Bruno ligou seis vezes a ex-líder da Juve na véspera do ataque

Bruno de Carvalho e Fernando Mendes, ex-líder da Juve Leo, atualmente em prisão preventiva, falaram por seis vezes ao telefone, em pouco mais de uma hora, na véspera do ataque a Alcochete, onde 40 membros da claque agrediram jogadores e equipa técnica.

O Ministério Público (MP) que acusou esta semana o ex-presidente do Sporting, Fernando Barata “Mendes” e Nuno Mendes “Mustafá”, atual líder da Juve Leo, e os restantes 41 arguidos de crimes de sequestro, ofensas a integridade física e ameaças, acredita que Bruno de Carvalho e os dois líderes da Juve Leo concertaram a decisão e determinaram a invasão à Academia do Sporting.

De acordo com a acusação, foi entre as 1,30 horas e as 2,40 horas do dia 14 de maio que Fernando Mendes e Bruno de Carvalho estabeleceram seis contactos telefónicos, sem no entanto referir o conteúdo. Porém, naquele dia, segundo as dezenas de mensagens de WhatsApp trocadas em grupos privados, citadas na acusação, o ataque já estava a ser preparado e o ex-líder da Juve Leo estava a par de tudo. Por isso, o MP assegura que Bruno de Carvalho, que tinha estabelecido um clima de violência contra os jogadores, conhecia o plano de invasão e determinou-o.

Mendes com aval do presidente

Em paralelo, acredita o MP, Fernando Mendes estabeleceu contactos com Mustafá. Este informou depois Bruno Jacinto, o ex-oficial de ligação aos adeptos, atualmente preso, de que o presidente Bruno de Carvalho tinha dado o aval ao ataque aos jogadores. Referiu ainda ao antigo funcionário do Sporting que tinha recebido a informação de que Jorge Jesus tinha sido despedido.

Ainda de acordo com a acusação, no dia 14, véspera do ataque, o ex-presidente leonino deu conta aos jogadores de que tinha recebido chamadas de membros da Juve Leo, revoltados. Fê-lo em particular em conversa com Acuña, que no jogo na Madeira, onde o Sporting perdeu, terá insultado o líder da claque. Bruno de Carvalho dirigiu-se a Acuña nessa reunião e, segundo o MP, disse-lhe: “porque fizeste aquilo ao chefe da claque? Logo a ele, tenho um problema tremendo, estiveram a ligar-me a noite toda, os gajos da claque, a dizer que te queriam apanhar, queriam a tua morada, vou tentar resolver a situação”.

O Ministério Público descreve ainda que “entre os dias 12 e 14 de maio, quando o ataque estava a ser preparado, Fernando Barata “Mendes” telefonou inúmeras vezes para Bruno de Carvalho, estabelecendo ainda contactos com Mustafá.

Durante as trocas de telefonemas, em Lisboa, nas garagens do Estádio José Alvalade, adeptos da claque Juve Leo tentaram destruir os carros dos jogadores. Este ataque também tinha sido combinado através de mensagens de WhatsApp, recolhidas pelas autoridades nos telemóveis dos arguidos detidos.

98 crimes imputados a Bruno de Carvalho

O antigo presidente do Sporting está acusado, em coautoria moral, de crimes de ameaças, ofensas e sequestro.

Prisão preventiva

Dos 44 arguidos do processo, 38 estão atualmente em prisão preventiva, entre eles Fernando Barata “Mendes”, ex-líder da Juventude Leonina.

Mustafá defende-se

O líder da claque Juventude Leonina, Nuno Mendes, conhecido por Mustafá, vai requerer a abertura de instrução do processo judicial sobre o ataque à Academia do Sporting.

André Geraldes

O ex-team manager do Sporting, arguido no caso Cashball, não foi constituído arguido por falta de indícios suficientemente fortes.

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