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Espancar mulheres, negros e ativistas: o jogo em que Bolsonaro é protagonista

Chama-se “Bolsomito 2k18” e está a causar polémica nas redes sociais. É um jogo de computador 2D em que o principal objetivo é levar a personagem de Jair Bolsonaro a salvar o Brasil dos “líderes do Exército vermelho” e “derrotar o comunismo”.

“Derrota os males do comunismo neste jogo politicamente incorreto e sê o herói que libertará a nação da miséria. Prepara-te para enfrentar vários inimigos que pretendem estabelecer uma ditadura ideológica criminosa no país. Muita luta e boas gargalhadas”, lê-se na síntese do jogo, disponível por 8,91 reais (cerca de dois euros) numa plataforma online.

“Bolsomito” foi lançado dois dias antes das eleições presidenciais do Brasil, que decorreram no último domingo, e, tal como nas urnas, as opiniões dividem-se. Se há muitos jogadores que aclamam o “herói” da trama, outros tantos há que criticam o jogo como criticam o seu protagonista.

O enredo é claro: “Um homem que está cansado de viver em uma sociedade corrompida por um inimigo ideológico que quer manter-se no poder através de uma revolução comunista”, lê-se ainda na ficha do jogo. Segundo os criadores, a história é inspirada no atual momento político brasileiro e tem como protagonista “um cidadão do bem que está cansado da crescente corrupção e inversão de valores que abala a sociedade”.

Quando o jogo começa, o participante controla a personagem “Bolsomito” e tem que eliminar vários inimigos. Enquanto faz o percurso, o protagonista agride representantes da comunidade LGBT, do movimento feminista, pessoas negras e militantes de esquerda. Dessa forma, o avatar de Bolsonaro ganha pontos, passa de nível e, durante o processo, ouvem-se frases como “estes vagabundos estão tomando conta do país. Temos que limpar a política”.

O jogo transforma a deputada Maria do Rosário (PT-RS) num dos obstáculos do “Bolsomito”, com o nome de “Maria dos Presidiários”.

No site da empresa que desenvolveu “Bolsomito 2K18”, o jogo é avaliado de forma positiva com 80%. Alguns comentários na plataforma elogiam as piadas e a violência retratada: “Adorei o jogo, as piadas e tudo mais”, lê-se, enquanto outro jogador afirma que “é difícil”. “O Bolsonaro está a tirar pouca energia dos adversários! Coloca umas magias do Dragon Ball ou Street Fight ou até mesmo uma fuzil, pistola, bazuca… menos faca”, critica.

No fim da ficha do jogo, pode ler-se que “o conteúdo deste produto pode não ser apropriado para todas as idades ou para ser visto no local de trabalho: nudez ou conteúdo sexual, violência explícita ou cenas sangrentas. Conteúdo adulto genérico”.

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