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Governo português “condena veementemente” ataques no norte de Moçambique

Governo português condenou veementemente o ataque armado que na quinta-feira vitimou nove pessoas no norte de Moçambique e manifestou solidariedade para com as autoridades e povo moçambicano.

O Governo português condenou “veementemente” o ataque armado que na quinta-feira vitimou nove pessoas numa aldeia no norte de Moçambique e manifestou “total solidariedade para com as autoridades e povo moçambicano”, em comunicado divulgado este sábado.

“O Governo português condena veementemente o ataque armado ocorrido na noite de 22 de novembro na aldeia de Chikaua, província de Cabo Delgado, que vitimou mortalmente nove pessoas, deixando ainda um rasto de destruição naquela remota localidade”, lê-se num comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros, hoje divulgado.

A diplomacia portuguesa manifestou a sua “total solidariedade” para com as autoridades e o povo de Moçambique e endereçou às famílias das vítimas “as suas mais sinceras condolências”.

“O Governo português reconhece ainda o esforço levado a cabo pelas autoridades moçambicanas no sentido de responsabilizar e punir os autores deste e de outros ataques mortais que têm assolado a província de Cabo Delgado desde outubro de 2017, vitimando populações vulneráveis e indefesas”, conclui o comunicado.

Um grupo armado matou nove pessoas e incendiou casas numa aldeia remota do norte de Moçambique durante a noite de quinta-feira, disseram à Lusa fontes locais. O ataque aconteceu em plena escuridão, pelas 23:00 (menos duas horas em Lisboa) no povoado de Chikaua, no distrito de Nangade, junto à fronteira com a Tanzânia.

Este é um dos distritos que tem sido palco da onda de violência que desde há um ano atinge locais recônditos, no meio do mato, sem rede elétrica e só acessíveis por estradas em terra batida, na província de Cabo Delgado.

O grupo terá usado catanas para matar oito pessoas e uma outra foi encontrada carbonizada, depois de os agressores terem deitado fogo a 50 casas – que, como quase todas na zona, são de construção artesanal – e depois de terem roubado animais. Os nove mortos são adultos, três mulheres e seis homens. De acordo com as mesmas fontes, parte da população fugiu do povoado durante o ataque e não há indícios que permitam identificar os atacantes.

Há dez dias, seis homens adultos foram encontrados mortos no meio do mato, no distrito adjacente de Palma, depois de terem saído para caçar, sendo os corpos encontrados com sinais de ataque com catanas. Desde há um ano, segundo números oficiais, já terão morrido cerca de 100 pessoas, entre residentes, supostos agressores e elementos das forças de segurança.

A violência em Cabo Delgado ganhou visibilidade após um ataque armado a postos de polícia de Mocímboa da Praia, em outubro de 2017, em que dois agentes foram abatidos por um grupo com origem numa mesquita local que pregava a insurgência contra o Estado e cujos hábitos motivavam atritos com os residentes, pelo menos, desde há dois anos.

Depois de Mocímboa da Praia, os ataques têm ocorrido sempre longe do asfalto e fora da zona de implantação da fábrica e outras infraestruturas das empresas petrolíferas que vão explorar gás natural, na península de Afungi, distrito de Palma.

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